sábado, 9 de abril de 2011

A arte e a tecnologia - documentário

Essa semana, mais uma vez, o sábado à noite foi a minha salvação (e a da promessa do blog). Voltando da pós, após ver vários projetos de monografia dos meus colegas (diga-se de passagem, muito queridos - esse CHA4 é o máximo!), fiquei pensando o quanto a minha geração já é tecnológica, o quanto todos somos e precisamos ser assim nos dias de hoje.

Vídeo-game, celular, computador, e-book, tudo isso fazendo parte do nosso dia e da nossa vida, não podendo ser substituido, pois, são todos, parte de nossa vida, da vida moderna, contemporânea, pós-contemporânea, enfim, como se quiser chamar...

A criatividade e a arte não deixaram de existir na era tecnologica, só mudaram, se modificaram, evoluiram com o mundo.

A arte digital se faz cada vez mais presente. Hoje por exemplo, nas Bienais, vemos inúmeros vídeo-arte.

Foi aí que me lembrei de algo que fez parte da minha formação em arte, e gostaria de dividir aqui. É um documentário onde alguns universitários contam suas trajetórias e como formaram suas repúblicas estudantis. Espero que gostem (eu não me canso de ver, faz parte de mim).


(Por algum motivo, não consegui postar o vídeo aqui, mas segue o link de onde pode ser visto)

sábado, 2 de abril de 2011

Regina Silveira

Hoje a tarde fiquei desesperada quando lembrei que não tinha feito um texto para o blog essa semana. Bom, sábado à noite ainda faz parte da semana, né? Voltando da aula, fiquei pensando em alguém para escrever. Lembrei que semana passada fui ao apartamento de uma colega de sala que tem obras de arte espalhadas por todo canto, até parece uma galeria. Entre os seus inúmeros quadros de gente famosa, um desenho emoldurado de Regina Silveira me surpreendeu. Achei o máximo ter uma amiga com uma obra dela na parede. Na graduação fiz um trabalho sobre ela, quando entrevistei uma professora que foi sua aluna dela na FAAP em São Paulo e participou de vários de seus projetos.
Vamos à dona do post, então.
Regina Silveira nasceu no Rio Grande do Sul em 1939, teve uma formação acadêmica muito rígida, seus professores ainda pregavam a verossimilhança no desenho e na pintura. Estudou na Europa e nos EUA. Voltou para o Brasil e além de artista, tornou-se professora na Fundação Armando Álvares Penteado.

Serigrafias, gravuras, desenhos, off set e multimídias são técnicas presentes em seu trabalho. Regina pouco usou a computação gráfica na década de 1970, quando fez suas distorções. Naquela época, seu trabalho era feito todo manualmente, em papel quadriculado e milimetricamente calculado. Suas distorções precisavam ser vistas de um exato ângulo para que se compreenda o que é o objeto, caso contrário, ele fica realmente distorcido.

Fez várias séries como Simulacros, Inflexões, Pragas, Enigmas, Luz/Zul, Pronto para morar, Desaparências e Anamorfas.
Conhecida internacionalmente, já expôs na Europa, nos EUA e no Canadá.
Sombras, perspectivas e distorções são significados que nos remetem a ela, que foi também formadora de jovens artistas.
Seguem abaixo algumas de suas obras:
Queria postar o vídeo com a entrevista que fiz (junto com uma amiga da graduação), mas está em algum backup, muito longe de ser encontrado. Essa semana eu encontro, posto e já fica valendo como o post da semana, ok? ;)



Desaparências


In Absentia


Pragas


Encuentro


O paradoxo do santo


quinta-feira, 24 de março de 2011

Arte-educação e Produção caminham juntas

É comum pensar que porque se é um arte-educador, não se faz mais nada além de lecionar. É o que muitas vezes acontece com grande parte do público que sai da Universidade, e até mesmo dentro dela. Quando resolvemos que linha vamos seguir para o nosso projeto monográfico, já delimitamos o que vamos ser/fazer pelos próximos anos.

No meu TCC me perguntava até que ponto uma produção poética pode alimentar a nossa criação na arte-educação? E vice-versa. Meu trabalho seguiu entrelaçando várias linhas: a arte-educação, com uma oficina de fotografia que ofereci a alunos do curso de Design de Moda, a relação aluno-professor; a pesquisa de campo, com um estilista londrinense, Nélio Pinheiro, e a pesquisa bibliográfica da artista plástica Beatriz Milhazes e ainda a produção poética de fotografias de moda.

O que eu quis, foi mostrar como a arte pode andar por vários caminhos e o quanto ela é hibrida, como é capaz de interrelacionar diferentes assuntos, e permite a liberdade de novas propostas. Essa convergência está presente na contemporaneidade. As Artes Visuais estão abertas para todos os diálogos que podem ser desenvolvidos, permitido a ligação entre comunicação, moda e fotografia, como foi meu trabalho.

Segue abaixo, algumas fotografias do meu editorial de moda "Brasilidade a flor da pele", apresentadas no meu TCC:






Obrigada à modelo Carla Coelho e ao maquiador Tiago Dias =)

sexta-feira, 18 de março de 2011

A Preservação da Memória

Sem muita inspiração pra essa semana (é, acontece...) e confesso que sem muito tempo também, resolvi escrever sobre um assunto que me chamou atenção na última aula que tive.

O professor, um argentino que estudou em uma universidade judaica, falava sobre a preservação da memória. O assunto era a Segunda Guerra Mundial. Claro que por mais que falemos do assunto, por mais que imaginemos o quanto deve ter sido doloroso, complicado, instável, e tantas outras coisas, nunca (nunca mesmo), saberemos o quanto dói uma guerra sem ter passado por ela, sem ter vivido seus dias. É como dizer que sabe-se o que é amor de mãe, sem nunca ter tido um filho.

O professor apresentou um artista, Lasar Segall (1891-1957), lituano, naturalizado brasileiro, que retratou os destroços da Segunda Guerra através da imaginação, das notícias que tinha, dos recortes de jornais, pois quando a guerra explodiu ele já morava no Brasil.

Me lembrei de outros artistas: Anselm Kiefer (1845- ), alemão, que em suas obras abstratas expressa a dor causada pelo holocausto e o sentimento do pós-guerra (medo, pânico, pavor).

Recordei também de Picasso, mas ele é assunto para um próximo post.

É impossível pra mim, não lembrar de Goya, apesar se seus dramas não serem relacionados com a 2ª GM, foi a dor da guerra civil espanhola que ele gravou em suas placas de metal e na mente de tantas pessoas.

O professor citou ainda o escritor Elie Wiesel (1928- ) um judeu nascido na Romênia, que em seu livro A noite, conta suas memórias e experiências relacionadas ao holocausto.

Segue abaixo algumas obras, de Segall e Kiefer, que de modos diferentes, retrataram a dor que sentiram e que marcaram suas vidas pelos dramas que viveram. É a preservação de uma memória através da arte, seja ela pela pintura, pela escultura, pela música, pela literatura... é a tentativa de manter vivo o sentimento desolador que transformaram suas vidas e sua arte.


Anselm Kiefer


Anselm Kiefer


Anselm Kiefer


Navio de Emigrantes - Segall


Guerra - Segall



terça-feira, 8 de março de 2011

Lembrar

Mulher lendo, 1874, Renoir

Penso que a mulher não precisa de um dia para ser lembrada, mas já que criaram a data, vamos lembrar.

A dia foi criado para homenagear as operárias de uma fábrica de tecidos de Nova York que morreram queimadas em 1857. Elas buscavam melhores condições de vida e trabalho. Só em 1910 o dia 8 de março foi definido como dia internacional da mulher, e só em 1975, a data foi oficializada pela ONU.

Não sou feminista, e às vezes odeio a ideia das mulheres que queimaram seus sutiãs. Mas se não fossem elas, não teríamos tudo que temos hoje, todas as conquistas, todas as vitórias.

Porém na Arte, a mulher sempre foi lembrada seja por sua santidade ou por sua idealização de perfeição, pela figura de fertilidade, de liberdade, de romantismo, de mistério, de erotismo, de perversão, de lealdade, de fragilidade e de força. Vários outros adjetivos ainda cabem aqui, mas o importante é que nós sempre tivemos espaço na arte, mesmo quando ainda não podíamos escrever, ou pintar, ou agir dentro das academias.

Segue abaixo um vídeo, que mostra a figura feminina em diferentes períodos artísticos:

http://www.youtube.com/watch?v=nUDIoN-_Hxs

Feliz dia, mulherada!


sexta-feira, 4 de março de 2011

É Carnaval

Hoje, 4 de março de 2011 é sexta de Carnaval (pra muita gente, o ano só começa depois dessa festa - e até que enfim, porque Carnaval é em fevereiro ne? rs).

Ah, o Carnaval... a festa do povo, da carne, a festa brasileira. São cinco noites onde a gente pode ser tudo o que quiser. Homem vira mulher, aparecem super-heróis de todos os tipo e épocas. Músicas, máscaras, cores, amores, sabores...

A festa é antiga e tem lá sua ligação com a Semana Santa da Igreja Católica. Na Antiguidade, se comia e bebia, e o que se buscava eram os prazeres. No Renascimento, surgiram os bailes de máscaras e os carros alegóricos.

No Brasil é a maior festa popular. Escolas de samba, carros alegóricos, trios elétricos, blocos, repúblicas garantem a diversão de quem se predispõe à alegria.

Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo (1897-1976), um intelectual vanguardista modernista brasileiro, propôs em sua arte a mistura de raças que é o povo brasileiro. Pintou cenas populares. Carioca da gema, abusou de sua paleta colorida quando pintou, por várias vezes, o Carnaval. Di Cavalcanti foi o pintor das mulatas e da cultura popular brasileira. Foi muito mais que isso, foi criador de uma identidade nacional (até porque, a gente só copiava o que vinha da Europa).

Abaixo algumas obras. Tudo é diferente: dá até pra sentir a alegria do povo.


Carnaval, 1970, óleo s/ tela, 97x146 cm


Carnaval, 1968


Carnaval II, 1965, óleo s/tela, 144x146 cm



quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Vik Muniz: isso sim é arte contemporânea

Eu que geralmente não gosto de arte contemporânea, arte conceitual, arte pós-moderna, essa arte dos tempos de hoje, me deparei essa semana com um brasileiro conhecido internacionalmente, radicado nos EUA, que faz arte usando lixo. Me emocionei ao ver um vídeo na internet (o link segue logo abaixo), e acho que isso é o fundamental da arte. Arte tem que comover, tem que tocar, mexer com os nossos sentimentos, sejam eles bons ou ruins, eu prefiro que sejam bons, e foi o que aconteceu.

O artista plástico Vicente José de Oliveira Muniz (1961-), foi indicado ao Oscar de 2011 por seu documentário “Lixo Extraordinário” (Waste Land), dirigido por Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley. Vik Muniz tem obras nos principais museus de arte contemporânea, como o MoMA de Nova York, o Reina Sofia e o Metropolitan.


Vik ficou mais conhecido no Brasil depois da abertura da novela global Passione, onde utilizou lixo reciclável para confeccionar as cenas que compunham o vídeo-clipe de abertura.

Usando o mesmo material, lixo, do aterro metropolitano do Rio de Janeiro, o aterro Jardim Gramacho, Vik Muniz cria obras para o documentário premiado. Entre as várias fotografias que ele mesmo tira, dos catadores de lixo, está uma releitura da obra de Jacques-Louis David (1743-1825) Marat assassinado de 1793.

Primeiro ele cria um cenário, o mais fiel possível ao da obra de David e para ocupar o papel de Marat escolhe um dos catadores de lixo, depois fotografa a cena; e a partir da fotografia cria o ambiente com o material coletado do aterro.

Um pequeno vídeo mostra os bastidores da produção, e os processos da obra: http://www.wastelandmovie.com


Espero que se emocionem.