sábado, 19 de janeiro de 2013
Romero Britto o novo Picasso?
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Recomeçando com Neruda
Recentemente tive o prazer de conhecer um pouquinho mais de perto o poeta chileno Pablo Neruda (que nasceu com o nome de Neftalí Ricardo Reyes Basoalto), um influente artista (sim, não só poeta) do século 20. Confesso que de seus poemas, eu só conhecia os mais famosos. De sua vida, quase nada.
As três casas que construiu para viver com suas mulheres viraram museus. Dessas, conheci duas. Em Santiago, o boêmio bairro Bellavista abriga La Chascona, feita para Neruda viver com a sua terceira e última esposa Matilde Urrutia. O nome da casa é o apelido que o poeta deu à sua amante e significa “descabelada” no idioma mapuche (os índios nativos do Chile). Com teto baixo, piso de madeira, passagens e escadas estreitas, foi construída para lembrar o interior de um navio. Neruda foi um grande colecionador: a casa é cheia almofadas, bonecas russas, quadros, taças, louças, garrafas, livros... La Chascona chegou a ser saqueada pela ditadura de Pinochet e a decoração não é exatamente a mesma de quando Neruda viveu lá. A maioria dos objetos foram levados por Matilde após a morte do poeta e quando a casa se tornou sede da fundação Neruda.
A casa de Isla Negra é apaixonante. O lugar fica em uma praia de El Quisco, uma cidadezinha ao sul de Valparaíso (onde fica outra casa de Neruda, La Sebastiana, a qual não visitei). A principal atração é a casa-museu, além da linda vista para o agitado oceano Pacífico que também construída para lembrar o interior de um navio. Nessa casa está o barco que Neruda ganhou dos amigos, mas nunca navegou. Neruda tinha medo do mar, mas era dele, um bom observador. Dizem que ele entrava no barco, que fica em terra firme, com os amigos e bebiam até se sentirem mareados, como se estivessem em alto mar. Na casa, mais objetos que Neruda colecionou durante sua vida: garrafas, copos, cadeiras, bancos, mais quadros, navios dentro de garrafas, conchinhas... Muitos desses objetos eram comprados ou ganhados, todos compondo um cenário encantador onde viveu, escreveu, divagou, devaneou o poeta chileno.
Dos quadros de suas casas, não pintou nenhum, pois se dizia apenas um “pensante”. Neruda produzia com a vida, pois tinha uma sensibilidade além das palavras. Ele promovia a interação de sua casa e objetos com a natureza de forma poética. Neruda foi um colecionador de objetos, de palavras, de poesias, de amigos, de mulheres, de histórias, de conhecimento.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Tarsila e o modernismo brasileiro
Um mês sem aparecer aqui e volto com a promessa de colocar o blog em dia ;)
Esse post é especialmente pra minha mais nova leitora, a Alice (que amanhã completa 10 meses de vida) e sua mãe (minha amiga e teacher): um pedido sobre a Tarsila do Amaral. Achei legal e um tanto desafiador, porque tenho uma opinião sobre essa artista muito particular...
Tarsila do Amaral nasceu em Capivari, interior do estado de São Paulo, em 1886 (cem anos antes de mim, rs). Seu pai foi herdeiro de uma grande fortuna, o que permitiu a artista estudar pintura no exterior.
Não é possível falar dela, sem citar o movimento modernista brasileiro, um pré-modernismo. A tendência na Europa já eram as vanguardas, o que pra mim Anita Malfatti representa muito bem no Brasil. Aqui, houve uma tendência ao nacionalismo, com a intenção de uma arte genuinamente brasileira (e esse era o objetivo do nosso modernismo). Adotou-se uma linguagem de vanguarda e um tema nada vanguardista (nacionalismo).
Havia uma busca em envolver/absorver a arte internacional, o que Tarsila transfigurou no seu Abapuru e o movimento antropofágico, mas o nacionalismo sempre reinou. O Brasil ainda era, na década de 1920, um país agrário, recém liberto da escravidão, portanto, não havia ambiente para uma arte moderna. Mas tentou-se. E o lado bom é que tivemos um grande movimento cultural, seja na literatura, na pintura, na música... Foi realmente o início de uma arte genuinamente brasileira. De movimentos artísticos que envolveram a “modernização” do país.
Tarsila foi pra Europa, estudou pintura, casou-se com Oswald de Andrade e fez parte da Semana de Arte de 1922. Sem grande envolvimento com a crítica social, apesar de suas fábricas e operários, ela contribuiu grandiosamente para a arte com sua pintura colorida e simples.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
A liberdade de Delacroix

A Liberdade guiando o povo, Delacroix, 1830 – Óleo s/ tela – 260x325cm – Louvre, Paris
terça-feira, 17 de maio de 2011
Mais uma de David

Os litores trazendo a Brutus os corpos de seus filhos, 1789 – 232x422cm – Louvre, Paris
Os litores trazendo a Brutus os corpos de seus filhos data de 1789. Brutus, um político romano, assina a sentença de morte de seus filhos que traíram a pátria. O cenário é composto por litores (homens que carregam essa espécie de maca) que levam os corpos dos filhos de Brutus para dentro da casa. Brutus que por sua vez, está sentando em um canto, sóbrio e escuro. Pensativo ele tem em uma das mãos a sentença que assinou, a outra se apóia em uma estátua que representa Roma, mostrando de algum modo que ele não se deixa abalar pela emoção, nem mesmo pelo fato de ter matado seus filhos, já que o fez com o amor a nação, com o apoio de Roma. Há nesse cômodo algumas colunas clássicas, do modelo mais limpo possível, mostrando a ideia de organização e racionalidade.
Podemos ver o colorido nos vestidos das mulheres e na toalha que cobre a mesa, mas o restante da tela é de tons rebaixados. As mulheres mais uma vez representam a emoção do quadro. Sobre a mesa uma cesta com utensílios de costura, que nos permite imaginar um cotidiano. A tragédia está elevada com a cor da tolha de mesa que pode representar o sangue.
David influenciou grandes artistas que surgiram depois, e como disse Baudelaire, Flandres tem Rubens, a Itália tem Rafael e Veronese; a França tem Lebrun, David e Delacroix.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
David e O juramento dos Horácios
O juramento dos Horácios, David, 1784 – Óleo s/ tela – 329x424cm – Louvre, Paris
A obra representa forte sentimento de patriotismo. Seu tema é a história de Roma Republicana: Horácio pede que seus três filhos jurem lutar pela nação romana, e assim o fazem diante das espadas. As mulheres trazem a emoção para a obra que transborda razão. Elas lamentam a partida dos Horácios que vão defender sua pátria em alguma batalha.
As cores são sóbias, há apenas alguns pontos de vermelho, como no manto de Horácio. Os três irmãos estão posicionados, um do lado do outro, jurando simbolicamente as três espadas seguradas por seu pai, jurando assim fidelidade à patria. É toda a razão da cena. Diferente do lado direito, onde as mulheres e as crianças representam a emoção, o desespero por seus filhos serem destinados a lutar e possivelmente morrer pelo seu país.
David traz a história do passado romano, intencionalmente para o presente. Sua mensagem é de amor e luta pela pátria, pela França.
A estética das roupas, tanto dos Horácios como a das mulheres, é recuperado do grego clássico. E como a beleza na antiguidade era idealizada, aqui também, há uma idealização anatômica dos Horácios e das mulheres. Há ainda, harmonia, simetria, perspectiva que são também elementos que caracterizam o classicismo.








