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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Renascimento

Aproveitando o assunto do post anterior e já repondo a falta de um texto na semana passada (fiquei out por uns dias, rs), vamos ver um pouquinho do que foi o Renascimento:


A escola de Atenas - Rafael

Primavera - Botticelli

A anunciação - Leonardo da Vinci

A anunciação - Fra Angélico


O Renascimento foi um período da história da Europa marcado por transformações que assinalam o final da Idade Média e início da modernidade, período este em que se buscou o conceito de Belo.
É também o período da redescoberta da perspectiva, baseada principalmente nas obras da antiguidade, buscando a teorização da profundidade. As obras da Grécia Antiga se tornam objetos de estudo para os artistas renascentistas, principalmente no sentido de encontrar uma afinidade cultural, alcançando, assim, um distanciamento do que era feito na Idade Média.

As relações entre o espaço, a matemática e o ponto de fuga são aos poucos, introduzidos nas pinturas até se tornarem normas, fundamentos e características necessárias para um pintor do Renascimento. Ao pintor cabia não só a imitação da natureza como também se esperava que ele pintasse algo mais belo ainda que a própria natureza, tornando-se seu criador, ou co-criador, já que Deus era o primeiro a criá-la.

No início da Renascença o pintor não buscava um estilo ou uma inovação, já que o necessário e mais importante era apenas a manutenção da tradição (Grega Clássica). Ao artista cabia aprender a técnica. Mais tarde, novos conhecimentos como o pensamento humanista, o empirismo e o racionalismo são aderidos ao Renascimento, atingindo, assim, seu equilíbrio classista na Alta Renascença.

Da Itália: Pietro Perugino

A aparição da Virgem a S. Bernardo, c. 1490-94

O italiano Pietro Perugino (1450-1523), retratou entre tantas cenas, uma onde a Virgem aparece para São Bernardo. Quatro anjos estão também presentes no momento. Primeiramente, a obra transmite um sentimento de calmaria, tudo parece sereno e tranquilo, até mesmo as cores que compõe o quadro e a luz representada em tons de amarelo transmitem ao espectador esse sentimento de mansidão.

O cenário, arquitetonicamente pensado pelo artista, mostra uma construção inspirada nos templos gregos e uma paisagem ao fundo. Tudo parece seguir padrões e regras. A semelhança entre os anjos e a virgem não está só no físico, mas também na serenidade e na luz que esses personagens transmitem ao espectador. Diferentemente das cores complementares do vestido vermelho da Virgem e o manto verde dos anjos, o que nos leva a perceber que os personagens usam trajes de cores vivas, exceto o de São Bernardo, um manto bege.

Olhando a obra atentamente, observamos o entalhe da escrivaninha de S. Bernardo que, ao centro, sustenta uma flor, um livro aberto, obedecendo a uma perspectiva assim como o tampo da mesa. Grandes dobras da roupa de S. Bernardo seguem quase todo o tecido da roupa, deixando evidente um corpo embaixo daquele pano. Esse volume também é perceptível na roupagem da virgem e dos anjos. Os tecidos dobram-se, modelam-se em cima de um corpo, diferentemente de algumas obras do início da Renascença, em que o tecido era exagerado, não sendo possível ao observador encontrar um corpo sob tantas dobras pesadas. E mesmo apesar de algumas dobras do manto de S. Bernardo terem seu peso, é possível perceber, por exemplo, o joelho dobrado.

(...) algumas de suas obras de maior êxito demostram que Perugino sabia obter a sensação de profundidade sem perturbar o equilíbrio do desenho, e que ele tinha aprendido a manipular o sfumato de Leonardo para evitar uma aparência dura e rígida em suas figuras. (GOMBRICH, 2009: 315)

A simetria pode ser observada na arquitetura, nas colunas de estilo grego que começam no primeiro plano do quadro, uma do lado esquerdo e outra do lado direito, formando também a moldura. Tais colunas seguem até o final do templo, dando ideia de profundidade; os arcos que formam o teto acentuam ainda mais essa perspectiva.

No centro da pintura, logo que a construção termina, com um chão num quase quadriculado em tons de bege claro e cinza, vemos uma paisagem: tons de verde se misturam na representação dos arbustos, montes e árvores com o azul da água do estreito rio. Três árvores representadas nessa paisagem deixam mais clara a ideia de longitude, de profundidade. O céu é uma mistura de rosa claro, um azul quase cinza e o amarelo de sol poente.

Embora uma obra apenas não demonstre quão grande um artista se tornou, algumas obras de Perugino podem oferecer ao espectador um mundo mais sereno e harmonioso, se comparado ao nosso.